Manifestação em VG reúne 4 mil, mas grupo joga bombas e pedras na prefeitura
Estimativas da Polícia Militar apontam que aproxidamente 4 mil pessoas participaram da manifestação realizada em Várzea Grande na tarde desta sexta-feira (21). A maioria era estudantes, mas entre a multidão também era possível perceber a presença de famílias, profissionais liberais e funcionários públicos saíram em caminhada do Ginásio Fiotão, ao lado do Terminal de Integração André Maggi e caminharam por duas das principais avenidas da cidade: a Filinto Muller e a Alzira Santana que juntas, concentram grande quantidade lojas e estabelecimentos comerciais dos mais variados segmentos.
Estimativas da Polícia Militar apontam que aproxidamente 4 mil pessoas participaram da manifestação realizada em Várzea Grande
Apesar da manifestação ter ocorrido do forma pacífica, um grupo de estudantes promoveu muita baderna com explosão de dezenas de bombas no meio da rua e até da multidão, além de muitas pedras que foram lançadas nos vidros da Prefeitura de Várzea Grande. No trajeto de ida, um adolescente foi apreendido porque portava fogos de artifício no meio da multidão. Na concentração, em frente a prefeitura da cidade, alvo de dezenas de pedras lançadas pelos baderneiros, uma jovem também foi atingida por um pedrada.
A organização do movimento também deixou a desejar, pois diferentemente de Cuiabá que já realizou 2 manifestações, onde haviam equipes compostas por organizadores e estudantes que tomavam a frente para decidir sobre o trajeto, falavam sobre os objetivos do movimento e pregavam a união entre eles, o ato promovido em Várzea Grande não teve nenhuma pessoa que se identificasse como organizador ou falasse do manifesto de “forma oficial”. Os ativistas disseram que foi um ato coletivo programado e combinado pelas redes sociais. “Todos se representam e sabem quais são as causas que lutamos. Isso é bonito. Não Precisa de ninguém para fazer palanque”, disse Gilliardi Hortêncio, 28, professor da rede pública. Ele, mesmo agindo como uma “liderança”, ao seguir na frente do grupo e usar o megafone em diversos momentos para pedir calma, já que a intenção era realizar um manifesto pacífico, disse que não era um dos organizadores.
Gilliardi ressaltou também que não havia uma expectativa de público definido. Ele disse que que fosse ao local poderia participar pois o povo está indignado com muitas coisas que acontecem como a falta de investimentos na saúde, na educação e a onda de corrupção que atinge o país. Outra pauta da manifestação era protestar contra o vereador por Várzea Grande, João Madureira (PSC) que chegou a falar na Câmara Municipal que a Polícia deveria “baixar o porrete” nos manifestantes. “Queremos dar uma resposta ao vereador Madureira e mostrar pra ele que o vândalo aqui é ele”, disse o professor Gilliardi Hortêncio que considerou um absurdo as declarações do vereador incitando a Polícia a agredir os manifestantes.
O trajeto até a prefeitura foi percorrido em cerca de 1h20. Parte dos estabelecimentos comerciais já estavam fechados. A filial de uma rede de supermercados fechou as portas enquanto o grupo passava. O gerente, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que a empresa apoia o movimento e por isso fechou as portas. “Fechamos para garantir a integridade física de todos, principalmente dos nossos clientes e funcionários, pois mesmo o movimento sendo pacífico, sempre tem um pequeno grupo disposto a causar baderna e provocar danos em estabelecimentos”, disse ele.

Um momento marcante do protesto ocorreu em frente ao Pronto-Socorro da cidade, onde os manifestantes pararam, fizeram muito barulho e sentaram no chão por alguns minutos. Parte deles subiu a calçada e chegou bem próximo à unidade de saúde que concetra diversas irrgularidades, desde falta de leitos até falta de equipamentos e trabalho e condições dignas e de infraestrutura adequada para os profissionais atender aos pacientes.
Já no Paço Couto Magalhães, os manifestantes se concentraram em frente a porta da prefeitura. Uma barreira composta por cerca de 10 homens da Guarda Municipal impedia que os ativistas se aproximassem da porta de vidros. Os manifestantes, gritaram palavras de ordem, “Abaixo a violência, “I ferrou, Várzea Grande acordo”. Eles também bradaram palavras de ordem contra um carro de som que acompanhou o ato e estacionou na rua em frente da aglomeração permanecendo com o som ligado. A principal cobrança no local foi em relação ao passe livre que não existe em Várzea Grande, pois estudantes precisam pagar a metade da passagem, uma vez que o município só custeia 50% do preço da tarifa estudantil.
Em coro, os ativistas gritavam palavras de ordem contra o prefeito Walace Guimarães (PMDB) que segundo eles, prometeu o passe livre, mas não cumpriu. “E, e, e, cadê o passe livre que o prefeito prometeu”, bradavam empunhando cartazes e faixas. Entre os manifestantes também haviam faixas protestando contra a educação, contra a PEC 37, contra corrupção entre outros.
Ainda em frente ao prédio da prefeitura, eles protestaram contra o vereador Madureira e por mais de um minuto proferiram frases com palavras de baixo calão contra o parlamentar. “O Madureira, filho da puta, é meu salário que sustenta suas putas”. Com essas palavras de baixo nível, eles mostraram o repúdio contra o vereador.
Baderna
Mesmo pacífico, o manifesto em Várzea Grande foi marcado por muito barulho causado por um grupo de estudantes que promoveu muita baderna arruaça. Algumas bombas foram lançadas no meio das avenidas por onde a multidão passava. Em frente à Prefeitura, a quantidade de explosões aumentou. Foram dezenas de “pipocos” que assustavam até mesmo alguns dos ativistas que corriam para outro lado. Os artefatos eram lançados nos canteiros em frente ao prédio do Executivo e também no asfalto.
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Também foram jogadas dezenas de pedras contra os vidros de uma janela que fica no segundo andar bem em cima da laje da porta principal. Apesar das explosões e pedradas nos vidros, as centenas de policiais militares que faziam barreiras nas laterais do prédio, ao lado do Fórum e da Câmara de Vereadores nada faziam. Eles permaneciam imóveis, se infiltrar ou tentar identificar quem lançavam as pedras. Apesar disso, nenhum vidro da prefeitura foi quebrado. Num determinado momento, um ativista pegou o megafone e anunciou que as pedras lançadas haviam atingida uma menina que participava do ato. Ele pediu que todo sentassem no chão e repetisse um discurso que dizia que eles estavam ali para protestar contra o prefeito e contra os vereadores que não ouvem o povo. “Não estamos aqui para machucar a nós mesmos. Então vamos parar de jogar pedras”, pediu ele. A multidão sentada no chão repetiu o discurso, mas o grupo de baderneiros continuou a lançar pedras e bombas.
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