Cultivos de soja durante Vazio Sanitário preocupam Aprosoja

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+ Agronegócio
Sexta, 18 Setembro 2020 | OlharDireto
Incansável na defesa do Vazio Sanitário da Soja, a Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) suscitou uma nova preocupação: cultivos autorizados de soja para produção de sementes no município de Lagoa da Confusão, em Tocantins, durante o período proibitivo. Em recente visita técnica na região, a Aprosoja constatou novamente e em intensidade ainda maior que o visto no ano passado, a presença de ferrugem em todas as lavouras visitadas. De acordo com técnicos da entidade, uma das lavouras, das mais novas, tem folhas com severidade máxima previstas nas escalas de ferrugem.
Conforme avalia a Aprosoja, o que agrava a situação é que a maioria destes cultivos, alguns ainda florescendo, tende a se manter com folhas e ferrugem viável durante todo o mês de setembro e, algumas tem possibilidade de adentrar o mês de outubro, pois ainda estão muito novas. E no mês de setembro já haverá plantios de soja em Mato Grosso e no Pará e, no início de outubro também já está autorizado o plantio da safra de soja em Goiás e Tocantins.
“Mesmo que as lavouras sejam dessecadas até o final de setembro, os esporos da ferrugem vão ser disseminados durante a colheita e eles se mantem vivos, mesmo com a folha seca, por mais de 50 dias. Isto significa que todos estes quatro Estados, assim como outros mais distantes, correm sério risco de receberem o pior dos esporos, estes que são produzidos em grande quantidade nas lavouras irrigadas da Lagoa da Confusão. E isto já vem ocorrendo há vários anos, com as bênçãos da pesquisa pública (ou falta dela) oficial”, destaca a Associação.
Aprosoja Mato Grosso avalia a situação e aponta regalias em liberação desses cultivos durante o Vazio Sanitário. “Somente os sementeiros podem produzir nesta época do ano, produtor que deseja produzir sua semente própria tem sido impedido de semear um palmo sequer, nem mesmo se não adentrar o Vazio Sanitário, é o que vem acontecendo em MT”, pontua. Segundo a Agencia de Defesa Agropecuária do Tocantins (ADAPEC), neste Vazio Sanitário foram autorizados o plantio de 66 mil hectares na região, sendo que somente uma empresa recebeu autorização para semear 30.000 hectares. “Um privilégio inexplicável”, dispara a associação mato-grossense.
Conforme noticiado pela imprensa no Tocantins, o cultivo de soja para produção de sementes nas várzeas tropicais do Tocantins, durante o Vazio Sanitário, recebeu autorização depois de apresentarem um “relatório técnico da Comissão de Sementes e Mudas” que teria sido elaborado pela Secretaria de Agricultura de Tocantins (Seagro), pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (ADAPEC). A autorização teria sido dada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que negou o fato. 
“Os cultivos para produção de sementes têm sido autorizados há mais de 10 anos. Incrível que os órgãos de Defesa Vegetal Federal e estadual (ADAPEC) fazem vistas grossas ao que lá ocorre, dizem que sabem da existência da ferrugem, mas que tudo está sob controle, pois são feitas auditorias. A Embrapa ao tempo em que diz não ter conhecimento da situação, que não acompanha os plantios, tem sido constantemente citada como participante do grupo que aprovou estes plantios, e empresta o nome para que este absurdo continue ocorrendo”, pontuou Aprosoja.
Segundo apurou a reportagem, as justificativas técnicas para as autorizações de plantio nas várzeas de Tocantins, seriam de que não há risco fitossanitário de ocorrência da ferrugem asiática, pois a irrigação não se dá por molhamento foliar e que seria baixa a incidência da doença. “Essa justificativa foi derrubada pela Aprosoja pois provou-se justamente o contrário, a ferrugem ocorre e em altíssima severidade. Para piorar, as lavouras continuam vegetando durante todo o Vazio Sanitário e têm sido colhidas quando grandes áreas já foram semeadas nos Estados vizinhos. Os ventos predominantes nesta época do ano sopram do Tocantins para Mato Grosso e Goiás, especialmente”, assegura a Aprosoja.
A preocupação da Associação dos Produtores de Soja é ainda maior neste ano, a situação pode se agravar já que os plantios foram feitos mais tarde que o normal, “adentraram semeando no mês de junho e a justiça autorizou o uso da irrigação sem limitação de data, significando que mesmo as lavouras mais novas vão ser conduzidas até o final, com risco de adentrarem sendo colhidas em outubro”. De acordo com a Instrução Normativa da ADAPEC, 03 de 14/04/2020, o produtor de sementes terá ainda até 30 dias depois da colheita para eliminar as plantas guaxas. Isto significa que a ferrugem, com as condições ótimas de umidade vai ficar hospedada e se multiplicar também nestas guaxas, aumentando a chance de se disseminar tanto para Tocantins quanto para o restante do país.
“Aprosoja MT já fez expediente ao Governo de Mato Grosso e Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (INDEA-MT), para que tomem providências, estas sim em defesa da sojicultora do Estado. Ao contrário dos plantios de fevereiro preconizados pela Aprosoja, em substituição aos de dezembro, os quais são colhidos ainda bem antes do início do Vazio Sanitário, portanto sem riscos para a sojicultura, extensos plantios comerciais ocorrem bem ao lado de Mato Grosso e ninguém parece tomar conhecimento. Isto demonstra que se trata mais de perseguição aos experimentos da Aprosoja do que uma verdadeira preocupação com a fitossanidade, a ferrugem asiática em especial”, diz Aprosoja.
“E ainda há os inexplicáveis cultivos, também em áreas expressivas e sob irrigação por aspersão, durante o Vazio Sanitário em Mato Grosso. Estas verdadeiras lavouras deveriam ser colhidas até 31/07, mas essa regra inexplicavelmente saiu da IN 001/2015, quando se editou a 002/2015. Significa que em Mato Grosso pode ter soja cultivada o ano todo. As aplicações de fungicidas semanais, ou em intervalos menores, seria a justificativa para tais autorizações no Estado. Em denúncia recente, a Aprosoja recebeu informações de ocorrência da ferrugem em alguns desses ensaios, mas foi impedida de ir checar. As mais de dez aplicações de fungicidas e inseticidas que ocorrem nestas áreas, elas sim, estão selecionando esporos resistentes que ficam vivos bem na hora que estamos semeando a nova safra. Há algo muito estranho no ar”, finaliza Aprosoja.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
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