Empresa suspeita de envolvimento em suposta compra de votos pode detonar carreira política de Júlio Neto
Uma empresa de capacitação profissional em nome de Júlio Campos Neto teria faturado em 2009 cerca de R$ 22 mil, e em 2010 o faturamento teria sido de R$ 2 milhões.
O aumento de quase 100 vezes, em apenas um ano, no faturamento de uma empresa em nome do atual candidato a deputado estadual, Júlio Campos Neto (DEM), filho do deputado federal Júlio Campos (DEM), foi citado, na última terça-feira (15), pelo juiz federal Pedro Francisco da Silva, durante a sessão Tribunal Regional Eleitoral (TER-MT), como indício de empresa de ‘fachada’ para beneficiar a campanha do deputado federal.
A declaração do juiz foi feita durante a sessão que apreciou o processo que aponta compra de votos Júlio Campos, na campanha de 2010 e que pode levar à cassação do parlamentar.
De acordo com o juiz, a empresa de capacitação profissional em nome de Júlio Campos Neto teria faturado em 2009 cerca de R$ 22 mil, e em 2010 o faturamento teria sido de R$ 2 milhões. Pedro Francisco também pontuou que a suspeita sobre o aumento expressivo do valor arrecadado seria ainda maior diante da falta de comprovação da procedência do montante.
“Mais revelador ainda é que não existe demonstração da origem desse recurso. O que aparenta ser uma empresa de fachada. Transparece que o conglomerado de empresas foi usado como fachada para movimentar a campanha”, destacou.
O envolvimento do nome de Júlio Campos Neto, nas provas do processo e nos indicativos apontados pelo juiz federal, que avaliou como procedente a cassação do mandato do deputado, pode cair como uma bomba na campanha do herdeiro dos Campos, que é apontado no processo como o responsável financeiro no esquema denunciado, em que vales de combustível e compras seriam trocados por votos.
Na sessão, o juiz relatou que a empresa Santa Laura e outros empreendimentos da família Campos foram usados para disfarçar o sistema. Pedro Francisco frisou que a assinatura de Júlio Campos Neto, em seu cartão de visitas servia como ‘moeda’, para os eleitores, na aquisição de combustível e compras e como garantia de pagamento para o posto de combustível e o supermercado envolvido.
O processo de compra de votos teve julgamento adiado diante do pedido de vista do relator do caso, o juiz Argamenon Alcântara. Ainda não há previsão de quando a votação deve ser colocada novamente em pauta.























