No Roda Viva, Taques se diz confortável no PSDB e alega que doação recebida da Odebrecht é legal
O governador Pedro Taques (PSDB) é o entrevistado desta segunda-feira (9) do programa Roda Viva, da TV Cultura. No primeiro bloco do programa, o tucano foi lembrado pelo seu histórico no combate a corrupção e já foi no início da entrevista confrontado sobre problemas passados da agremiação pela qual se filou recentemente. Taques se disse confortável na nova legenda e alegou que quem erra são pessoas e não partidos.
O tucano ainda foi questionado sobre sua posição sobre o financiamento público de campanha, proposta que visa ajudar o combate à corrupção. O jornalista recordou que Taques foi candidato que mais doação recebeu na campanha ao governo de 2014, tendo recebido recursos até da Odebrecht, empresa investigada na Operação Lava jato.
Taques afirmou que recebeu doações legais, tendo suas contas de campanha aprovadas pela Justiça Eleitoral. “Recebi sim a doação, aprovada pelo TSE”. Ele lembrou que sempre foi um senador independente do governo, com posicionamentos mais à oposição que situação, alegando que a empresa não teria interesses escusos em sua eleição. “A legislação permite isso. Defendi o financiamento público sem a lista fechada. Com a lista fechada não concordo. A corrupção é um fenômeno cultual no Brasil, o fato de as pessoas pensarem que a coisa pública é coisa de ninguém”, criticou.
Taques elencou os motivos pelos quais escolheu se filiar ao PSDB. “Estou no PSDB porque votaria a favor da Constituição de 88, que o PT votou contra. Votaria na lei de responsabilidade fiscal, que o PT votou contra”. Sobre a independência de investigação no governo PSDB e PT, disse que é a mesma liberdade para se investigar atos do governo.
Taques também foi lembrado das investigações que colocaram João Arcanjo Ribeiro na cadeia, segundo as quais, políticos do PSDB, como o então governador Dante de Oliveira e senador Antero Paes de Barro, receberiam dinheiro do “Comendador”. Taques afirmou que Dante já é falecido e Antero não foi condenado nem sequer processado por nada. “Eu preciso de partido político. Partido político não comete crimes, quem comete crimes são pessoas. Não existe nenhum par político só de anjos”, finalizou.
Impeachment
Taques voltou a defender a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) como ferramenta constitucional. “Por mim, entendo que exista condições para que a câmara possa decidir. O processo é um instrumento de responsabilidade. A Câmara autoriza o julgamento do Senado”, explica.
Já no início da entrevista, Taques disse que jamais esperou ver um crime com as proporções do que está sendo investigado na Operação lava Jato. Ele repetiu o que tem dito o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, segundo o qual, o Petrolão faz os outros casos de corrupção da história do país parecerem “pequenas causas”.
Cunha e a defesa absurda
Taques também não poupou críticas ao presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), cuja estratégia de defesa para justificar seu dinheiro no exterior será a suposta venda de carne enlatada. Taques alegou que não será leviano a ponto de “julgar” Cunha, mas declarou que o peemedebista apresenta uma “defesa fictícia e absolutamente risível”. Em um segundo momento, Taques foi provocado a comparar Cunha com Jader Barbalho, mas preferiu não fazê-lo.
Crise econômica
Taques apresentou sua leitura sobre o cenário econômico nacional e regional. De acordo com ele, a pujança de Mato Grosso e as medidas adotadas desde o começo do seu governo devem fazer com que o Estado não sofra tanto com a crise quanto seus vizinhos. Ele também criticou duramente a postura do governo federal de aumentar impostos sem fazer profundos cortes de gastos, a lição de casa, nas palavras do tucano.
Segundo Taques, MT ganha de um lado com a desvalorização do Real, com as exportações, mas perde de outro, pois precisa importar insumos para a produção. “Mato Grosso ainda não sentiu a crise chegando porque somos um Estado produtor e queremos avançar para a industrialização de commodities”, alega.
“Temos a plena certeza que Mato Grosso reage muito rápido à crise e devido às medidas que por nós foram tomadas. Não adianta dizermos que é uma crise internacional. É uma crise nossa”, afirmou.
Roda Viva
O programa Roda Viva é um dos mais tradicionais e influentes programas de entrevista da televisão brasileira, no ar desde 1986 pela TV Cultura. Ao longo dos anos, o jornalístico pautou-se pelo que há de mais relevante no cenário nacional e internacional da atualidade, com entrevistas de diversos líderes políticos, escritores, esportistas, filósofos, músicos etc.
O atual apresentador do programa é o jornalista Augusto Nunes, colunista da Veja e ex-diretor de redação das revistas Época e Forbes, e dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil e Zero Hora.
De 86 para cá, Roda Viva entrevistou personalidades como Enéas Carneiro, Luís Carlos Prestes, Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Fernando Collor, Fidel Castro, Itamar Franco, Roberto Campos, Eduardo Campos, José Saramago, Tom Jobim, Leonel Brizola, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Newton Cruz, Cabo Anselmo, Jimmy Wales, Hugo Chávez, Noam Chomsky, Mario Vargas Llosa, entre outros.























