Produzir fica mais caro e agricultores de MT reduzem área plantada de soja para evitar prejuízos

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+ Agronegócio
Terça, 27 Agosto 2019 | G1 MT
Os custos altos com a próxima safra têm obrigado pequenos e médios produtores de Mato grosso a diminuírem o tamanho da área plantada para não ter prejuízos na próxima safra.
Os custos de produção aumentaram nos últimos meses. Segundo o último levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço médico estimado é de R$ 3,9 mil para cultivar um hectare, 7% a mais que no mesmo período do ano passado.
O tempo é de incertezas para a safra de soja desse ano entre muitos produtores de Mato Grosso. O agricultor Napoleão Rutilli cultiva 1.250 hectares na fazenda que tem em Diamantino, no oeste do estado, e mais 450 hectares de uma área de arrendamento.
"O custo é muito alto. As cargas tributárias vão incentivar o maior cada vez fica maior e o pequeno, desaparece", afirmou.
Neste ano, ele já fez as contas e os planos serão outros. Já decidiu que vai devolver a área que arrendava de terceiros e nas próximas safras de soja e milho vai reduzir o cultivo na própria lavoura.
"Finalizando o término do contrato de arrendamento, a gente não pretende renovar, devido ao valor pago de arrendamento em torno de 10 sacas por hectare e agora com esse aumento a gente tem a diminuir. Então o valor da próxima safra de soja a gente pretende diminuir em torno de 17% da área e para a próxima safra de milho em torno de 30% da área porque não está fechando mais a conta, devido ao altos custos, principalmente dos impostos", afirmou.
Quando as contas não fecham, o que ficam são as dívidas. Para conseguir estabilizar a situação econômica da fazenda, o agricultor demitiu funcionários e precisou vender uma outra propriedade da família.
"Eu tinha 11 funcionários, hoje eu estou com cinco, no próximo ano eu vou ficar com três. É um assunto delicado quando se fala em dívida, ninguém gosta de falar da dificuldade que passa, mas todo mundo tem sim suas dificuldades.
De acordo com um levantamento do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), das 5.469 propriedades rurais do estado, cerca de 80% são fazendas com até 1500 hectares. São cerca de 2700 propriedades consideradas pequenas, com até 500 hectares. E são essas fazendas que encontram mais dificuldades para enfrentar as safras com altos custos.
Em outra fazenda, ainda em Diamantino, o agricultor Leandro Candiotto também demitiu funcionários e optou pela redução de 20% da área dos 1500 hectares. Segundo ele, as perdas se acumulam de safras anteriores, quando não conseguiu boas produtividades. Assim, uma safra vai servindo para pagar as dívidas de outra.
"Há três anos viemos de uma dificuldade financeira muito grande, para fechar custos e sempre temos prejuízos de 5 a 10 sacas por hectare. Com a redução, a gente perde a necessidade de ter o quadro de funcionários, a gente reduziu em 25%", contou.
Para os agricultores, o sustento sai da plantação e, mesmo com dificuldades continuam na luta, por safras melhores.
"A gente gostaria simplesmente de trabalhar e conseguir cumprir com os nossos deveres, com as nossas obrigações e a gente está trabalhando, buscando o melhor para a nossa família e é humilhante, degradante, é uma situação que produtor nenhum deveria viver na agricultura", disse.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
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