Vaiado, ex-secretário diz ter criado estatal e lembra salários em dia em MT
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Terça, 22 Janeiro 2019
| FolhaMax
Em meio ao debate sobre a extinção da empresa pública Desenvolve MT, o ex-secretário de Estado de Fazenda, Eder Moraes, lembrou aos servidores públicos que durante sua gestão não houve atraso salarial e nem discussão para pagamento do Reajuste Geral Anual (RGA). Ele ainda apresentou um relatório com medidas que devem ser adotadas pelo governador Mauro Mendes (DEM) para evitar a exclusão da empresa do qual ele intitula ser "criador".
Presidente da audiência pública, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) colocou que a fala de Eder foi uma solicitação dos servidores da Desenvolve MT. Ela antecipou o discurso dele, alegando que um grupo de pessoas se sentia “incomodado” com a presença do ex-secretário, que já foi condenado há mais de 100 anos de prisão por casos de corrupção investigados na “Operação Ararath”.
Moraes usou a tribuna da audiência pública, e foi recebido em meios de vaias e gritos de “ladrão”. Porém, após declarar que, durante o período em que era gestor da Sefaz pagava os salários dentro do mês trabalhado, acabou aplaudido por alguns. “Eu respeito à opinião dos contrários. A vaia é o aplauso dos contrários. Só quero lembrar que enquanto fui secretário de Estado o salário eram pagos dentro do mês,porque o Eder Moraes colocou dentro do mês trabalhado o salário de cada um. Não se falava em RGA, porque era pago rigorosamente em dia. Então, eu gostaria só um pouco de respeito em relação a minha história como servidor público porque servi com orgulho e prazer todos vocês”, disparou Eder em tom exaltado.
Sobre o motivo da audiência, o ex-secretário explicou que criou o Desenvolve MT, antiga MT Fomento, e considera um “erro sem precedentes” encomendar o fechamento da empresa pública. Ainda destacou que a agência Desenvolve MT está perdida nas suas políticas de créditos e lembra que a agência era eficiente em sua gestão. “Quem se lembra quantos microcréditos fizemos pelo interior de Mato Grosso. Só em Sorriso, mais de 800 máquinas para as costureiras, mais de 4 mil bicicletas para os trabalhadores, para o engraxate, para o picolezeiro. A agência não pode concentrar 100% do seu capital no microcrédito, é um erro. Todas as agências de fomento no Brasil destinam parte do seu capital para o pequeno, para o médio e para o grande, para poder rentabilizar a agência e fazer frente as suas despesas”, comentou.
Ele citou ainda que criou a MT Fomento Card, que é o cartão de crédito do servidor público, que cobra juros de 4% ao mês. Segundo ele, o mercado cobra até 12%. “Este produto na agência está dando R$ 1 milhão ao mês de rentabilidade. Ou seja, R$ 12 milhões ao ano. Como essa agência está dando prejuízo?”, questionou.
Moraes entendeu a argumentação do governador Mauro Mendes (DEM), que justifica o projeto de extinção da agência porque a folha de pagamento dos servidores é superior a receita. Porém, ele garante que a empresa pública é viável economicamente e pede para que Mendes conceda de 60 a 90 dias, período necessário para serem implantados ajustes que demonstram a viabilidade da empresa. “É necessário readequar os números da agência e refazer um plano de negócios novos para agência de fomento. Essa agência de fomento dá R$ 600 a R$ 700 mil de lucro livre por mês”, estimou.
Ao final, enquanto foi novamente vaiado, ele voltou a alfinetar os servidores públicos. “Entreguei um relatório com as medidas que devem ser feita na Desenvolve MT. Respeito a opinião dos senhores, me perdoe se eu estive aqui para incomodar os senhores, mas na gestão do Eder Moraes o salario de vocês era pago até o dia 30 de cada mês” reforçou.
Éder ainda sugeriu que os empréstimos consignados dos servidores sejam administrado pela MT Desenvolve. Ele lembrou que os consignados geraram problemas, inclusive com esquemas descobertos na "Operação Sodoma".